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A mostrar mensagens de abril, 2026

O Despertar da Dormência

A Páscoa, para além das fronteiras confessionais e dos símbolos comerciais de consumo, reside no imaginário coletivo como a celebração máxima da transitoriedade e da renovação. Retirando-se o véu do dogma, o que resta é o arquétipo universal do "eterno retorno": a percepção de que a vida não é uma linha reta que se apaga, mas um ciclo que se expande. Sob uma ótica filosófica, a Páscoa pode ser interpretada como o momento do despertar da consciência. Assim como a natureza atravessa o inverno para florescer na primavera — contexto original das celebrações equinociais —, o indivíduo é convidado a sair de seus estados de dormência mental. É o que os existencialistas poderiam chamar de passagem da vida inautêntica para a autêntica. Ressuscitar, nesse sentido, não é voltar da morte física, mas emergir do automatismo cotidiano para uma presença plena e deliberada. Ao olharmos para o Oriente, o conceito de nova vida ganha matizes de desapego e transmutação. No pensamento budista ou h...