O Peso do Sol e a Medida da Alma. Meditação Filosófica/Teológica do 25º Domingo do Tempo Comum
O sol daquela tarde caía pesado sobre a praça da matriz, onde homens de mãos calejadas e rostos marcados pelo tempo assistiam ao fim de mais um ciclo diário. No interior do templo, o eco das leituras litúrgicas do 25º Domingo do Tempo Comum trazia à tona a Parábola dos Trabalhadores da Vinha: a narrativa do proprietário que saíra à alvorada, ao meio-dia e ao crepúsculo para engajar operários, pagando a todos, ao término da jornada, a exata mesma moeda. Nos bancos de madeira polida, um murmúrio contido parecia repetir a perplexidade dos primeiros contratados: “Estes últimos trabalharam apenas uma hora, e os igualaste a nós!”. É a reação imediata da mente educada pelo cálculo estrito, acostumada a medir a existência pela lógica mercantil da troca proporcional. O senhor da vinha, contudo, desorganiza essa contabilidade fria ao deslocar a métrica do mero rendimento para a preservação da dignidade. Ao olhar para os homens que permaneceram até a última hora na praça, o texto evangélico não e...