Dia 6: O Apocalipse do Garfo (A Gula)
Se a luxúria busca o corpo do outro e a ganância quer o seu patrimônio, a gula faz algo ainda mais radical: ela devora o próprio mundo. Na catequese infantil, ensinaram-nos que a gula é o prato repetido no domingo, a segunda fatia de bolo fora de hora. Mas basta olhar para o mapa-múndi com um café na mão para perceber que a verdadeira gula não mora no estômago. Mora no sistema. A gula é o pecado do excesso sem propósito. É o ato de engolir não por fome, mas por ansiedade; não para se nutrir, mas para preencher um vazio que o alimento jamais conseguirá alcançar. Na sociologia contemporânea, Ulrick Beck falava sobre a "sociedade de risco", mas hoje vivemos na sociedade da obesidade sistêmica. Não apenas a biológica, mas a de dados, de consumo, de plástico e de resíduos. Devoramos giga-bytes de informação inútil por minuto, toneladas de embalagens de uso único e montanhas de roupas baratas descartadas antes da próxima estação. O guloso moderno é um bulímico cultural: consome fre...