A Fenomenologia da Esperança e o Desejo Mimético
A recepção de Jesus em Jerusalém, com ramos e mantos estendidos, pode ser analisada através do conceito de desejo mimético de René Girard. A multidão não celebra apenas o indivíduo, mas a projeção de suas próprias carências coletivas: a busca por um libertador político ou um milagreiro. Filosoficamente, os ramos são extensões desse desejo. Existe ali uma "esperança de massa" que, por ser coletiva, carece de profundidade individual. É o fenômeno do "Eles" (Das Man), de Heidegger, onde o indivíduo se perde na impessoalidade do coro que grita "Hosana", sem necessariamente compreender a essência do que está sendo celebrado. O Domingo de Ramos é o prelúdio necessário para a Sexta-feira da Paixão. Aqui, encontramos a transitoriedade de que falavam os estoicos como Marco Aurélio. A glória é fuga mundi — algo que foge das mãos assim que é alcançado. O Contraste: A mesma mão que ergue o ramo no domingo é a que apontará o dedo no julgamento. A Lição: Do ponto de vis...