O Eco do Tambor e o Silêncio da Cinza: A Dialética do Recomeço
A Quarta-feira de Cinzas é o momento em que o Ocidente retira a fantasia e se depara com o espelho. É o choque entre a euforia heraclitiana da festa e a sobriedade parmenidiana da existência, mediadas pela busca de uma vida que faça sentido no cotidiano, na chamada "normalidade". 1. A Euforia de Heráclito: O Fogo que Consome O Carnaval é o auge do fluxo de Heráclito. É o momento em que o "fogo" da festa tudo consome: as identidades se dissolvem sob máscaras, o tempo parece parar em um presente eterno de prazer e o corpo se entrega ao devir. É uma euforia necessária, mas esgotável. Quando a música para, sobra o silêncio. As cinzas nos lembram que não podemos viver apenas do "incêndio" sensorial. A festa é o rio que transborda; a quarta-feira é o rio retornando ao seu leito, convidando-nos a processar o que foi vivido. 2. A Cinza como Verdade (O Ser além da Máscara) Enquanto a festa é o reino dos Sofistas — onde a aparência, o brilho e a performance de feli...