Dia 7: O Anestésico do Mundo (A Preguiça)
Chegamos ao último ato. Depois da fúria da ira, da fome da gula e da corrida da ganância, o circuito dos desvios humanos termina no silêncio. Na teologia medieval, a preguiça atendia por um nome mais denso e poético: acídia. Não era a simples pausa merecida após o trabalho, nem a preguiça gostosa de um domingo à tarde. A acídia era a atrofia da alma, a paralisia do espírito, o desinteresse profundo pela própria existência e pelo destino do outro. Se os outros pecados capitais exigem energia para queimar, a preguiça é o esfriamento total do motor. É a desistência. Na sociologia contemporânea, a acídia ressuscitou de cara nova. Ela não se parece mais com um sujeito dormindo sob a árvore; ela veste a roupa do sujeito "ocupado demais". O sociólogo Byung-Chul Han descreve com precisão a nossa Sociedade do Cansaço: fomos levados a um estado de autoexploração tão extremo que, exaustos de nós mesmos, não nos sobra um pingo de energia empática para o bem comum. A preguiça moderna é a ...