O Bambu e a Mostarda: A Arte de Ceder para Não Quebrar. Reflexão Filosófica/Teológica de Mateus 17, 14-20
Os ventos que atravessaram o Brasil nos últimos dias não trouxeram apenas folhas secas e poeira; trouxeram a incômoda lembrança da nossa vulnerabilidade. Diante das rajadas que balançam estruturas e desordenam a rotina, o primeiro impulso humano é a rigidez: fechar as portas, tensionar os corpos e tentar resistir à força do ar. No entanto, a natureza nos ensina que o carvalho, firme e inflexível, é o primeiro a tombar, enquanto a vara de bambu se dobra, cede à tempestade e permanece de pé. Essa sabedoria da não-resistência é o coração do Aikido. Nessa arte marcial, ensina-se a nunca combater a força do oponente frontalmente. Quando o ataque surge como uma ventania, a atitude do praticante é esquivar-se suavemente, harmonizar-se com a energia do outro e redirecioná-la. É a arte de vencer sem contrapor dureza à dureza. É curioso como essa mesma mecânica da flexibilidade ecoa no Evangelho de Mateus (17, 14-20). Quando um pai desesperado traz seu filho atormentado aos discípulos e estes fr...