A Sinfonia dos Anônimos: A Arte de Construir Pontes sobre o Abismo da Divisão. Meditação Filosófica/Teológica da Solenidade de Todos os Santos
Neste primeiro de novembro de 2026, a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. Historicamente e liturgicamente, é o dia em que se olha para a imensa multidão de almas que atingiram a plenitude do ser — aqueles que encarnaram o sagrado no cotidiano. Mas há aqui um eco profundo da Antiguidade clássica e da sensibilidade paulina em Atenas: assim como os antigos erguiam um altar ao "Deus desconhecido" para não correrem o risco de ofender nenhuma divindade esquecida, a festa de Todos os Santos é um ato de humildade ontológica. Celebramos também aqueles cujos nomes se perderam no tempo, os santos anônimos, para que nenhuma centelha de bondade fique de fora da nossa memória. Contudo, olhar para o mundo de hoje a partir dessa data nos confronta com um espelho incômodo. Vivemos em uma realidade de divisão. Fraturamos o tecido social em trincheiras ideológicas, religiosas, políticas e digitais. Criamos muros intransponíveis onde deveríamos estender pontes, alimentando a ilusão ...