Servo fiel. Meditação Filosófica/ Teológica de Mateus 24, 42-51.
Prezado leitor,
Escrevo esta reflexão sobre o texto de Mateus 24:42-51. Fiquei pensando em como esse trecho, que muitos leem de uma perspectiva puramente religiosa, é na verdade um espelho para o existencialismo e o estoicismo.
A parábola fala sobre a vigilância, a imprevisibilidade da vida e a necessidade de estarmos prontos para o que é incerto. O que me impressionou é como isso dialoga com a filosofia existencialista. O texto ressalta a nossa liberdade e responsabilidade. O servo que vive na irresponsabilidade, acreditando que o senhor vai demorar, é a representação perfeita da má-fé existencial. Ele foge da sua liberdade de escolha, vivendo de forma inautêntica, se perdendo em vícios e violência. A punição dele não é apenas divina, mas a amarga e existencial dor de ter vivido uma vida sem propósito. Em contrapartida, o servo fiel é a pessoa que abraça a sua existência, que age no presente com responsabilidade, dando sentido à própria vida.
O ensinamento de "estar vigilante" é também uma filosofia estoica. Não podemos controlar o tempo, a vinda do "senhor" ou os eventos inesperados da vida. O que podemos controlar é a nossa atitude e as nossas ações. O servo prudente não se perturba com o futuro incerto; ele foca no que está ao seu alcance: agir com virtude, com prudência, justiça e temperança. Ele encontra sua paz não em uma promessa de que tudo vai dar certo, mas na certeza de que suas ações no presente são virtuosas e significativas.
É fascinante como um texto tão antigo e de tradição religiosa pode nos falar de forma tão direta sobre essas filosofias modernas. Ele nos lembra que, independentemente das nossas crenças, a vida nos exige ação e consciência.
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