Fé como grão de mostarda. Meditação Filosófica/Teológica de Lucas 17,1-6

O trecho do Evangelho de Lucas 17,1-6 estabelece três pilares da ética cristã, que combinam a doutrina com reflexões filosóficas sobre a responsabilidade, a alteridade e o poder da vontade.

O escândalo é o pecado de induzir outro ao mal, com especial gravidade contra os "pequeninos". Enfatiza-se a responsabilidade objetiva do agente.

Na Ética Deontológica (Kant), escandalizar viola o Imperativo Categórico, pois trata o próximo (o "pequenino") apenas como meio, não como fim em si. É uma falha na dignidade incondicional da pessoa.

O perdão ao irmão arrependido é ilimitado ("sete vezes no dia"), sendo uma condição da misericórdia divina e um ato de caridade que busca a restauração da comunhão.

 A exigência radical do perdão transcende a lógica da retribuição. É uma resposta infinita à Face do Outro, colocando a responsabilidade pela sua restauração acima da ofensa pessoal. É a superação do egoísmo pela magnanimidade.

A fé, mesmo mínima, possui uma eficácia sobrenatural que capacita o discípulo a cumprir os mandamentos morais impossíveis à força humana (como o perdão ilimitado).

Com a fenomenologia do Possível (Ricœur), a fé introduz um elemento transcendente que rompe o horizonte do factual, permitindo a realização do que seria "impossível" pela lógica natural (o "arrancar a amoreira"). É o poder que sustenta a ação ética radical.

Em suma, Lucas 17,1-6 move-se da responsabilidade moral (não escandalizar) à ação ética extrema (o perdão ilimitado), sustentada pelo poder metafísico da fé, que é a participação no poder de Deus.

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