Vigilância, Responsabilidade e Justiça Proporciona. Meditação Filosófica/Teológica de Lucas 12, 39-48

 O trecho de Lucas 12, 39-48, com as parábolas do ladrão e do administrador, é um ensinamento de Jesus sobre a vigilância ativa, a responsabilidade ética e a justiça proporcional no contexto da fé.

O tema central é a necessidade de estar preparado para a vinda inesperada do Senhor (morte ou Parusia), vivendo em serviço fiel e prudente. A parábola é um chamado à responsabilidade (a quem foi confiado, é exigido serviço) e um alerta contra a negligência e o abuso de poder, especialmente para aqueles que têm liderança.

A imprevisibilidade do "ladrão" impõe uma consciência do tempo oportuno (kairós). Dialoga com o Existencialismo (Heidegger), ao exigir a prontidão (vigilância) como a forma autêntica de viver diante da certeza da finitude ("ser-para-a-morte").

A figura do administrador fiel estabelece um imperativo de dever: "dar comida na hora certa". Conecta-se à Deontologia (Kant), onde a ação moral reside no cumprimento do dever (serviço) e na prudência na administração, independentemente da presença imediata do "senhor".

   O princípio final ("A quem muito foi dado, muito será exigido") define a Justiça Divina como proporcional. É um princípio de Justiça Distributiva (Aristóteles): a retribuição é graduada pelo grau de conhecimento (o que sabia a vontade) e pela responsabilidade conferida (o "muito dado"). Maior dom ou conhecimento implica maior exigência ética.

O texto é um fundamento para a ética do serviço e da prestação de contas, onde a fé é vivida na prudência, na responsabilidade com o poder delegado e na consciência urgente da ação no presente.

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