Jesus é Senhor do sábado. Meditação Filosófica/Teológica de Lucas 6,1-5
A passagem de Lucas 6:1-5 não é apenas uma história; é um confronto filosófico sobre o significado da lei e o propósito da religião. O cerne da questão reside na tensão entre dois modelos de pensamento:
A Visão Farisaica, Nomocêntrica, a lei é o centro do universo moral e religioso. A palavra grega "nomos" significa "lei", e sua visão pode ser descrita como nomocêntrica. Para eles, a obediência literal e inquestionável à lei, incluindo as tradições orais que a cercavam, era o caminho para a retidão e a honra a Deus. O sábado era sagrado por si mesmo, e qualquer "trabalho" (como colher grãos) o profanava. Nessa filosofia, o homem existe para a lei.
Na visão de Jesus, Antropocêntrica e Agápica, Jesus subverte essa ordem. Sua filosofia pode ser descrita como antropocêntrica (do grego "anthropos", "homem") e agápica (do grego "ágape", "amor divino"). Para ele, a lei não é um fim em si mesma, mas uma ferramenta para promover a vida, o bem-estar e o amor. Ele argumenta que o sábado foi feito para o homem, não o contrário. Ao permitir que seus discípulos, que estavam com fome, pegassem os grãos, Jesus demonstra que a necessidade humana e a compaixão são princípios superiores à rigidez ritualística.
O episódio também é um choque de autoridades. Os fariseus baseavam sua autoridade na tradição e na interpretação dos antigos mestres. Eles confrontam Jesus como se estivessem corrigindo um erro, baseados em sua vasta erudição na lei.
No entanto, a autoridade de Jesus é de uma natureza totalmente diferente. Ele não cita um mestre, mas se declara "Senhor do sábado". Isso não significa que ele veio para abolir a lei, mas para revelar seu verdadeiro e mais profundo significado. Ele mostra que a verdadeira autoridade vem do propósito divino da lei: o amor e a misericórdia. O "evangelho" ("boa nova" em grego) que Jesus proclama aqui é que a religião deve ser humanizadora, e não opressora.
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